Palavras com sentimento

Jovem e escritora, Sara Ana Macedo Afonso, desde muito cedo possui o gosto pela escrita.
Em 2008 editou o seu primeiro livro "Enquanto o tempo quiser". Um livro de poemas simples mas palavras sedutoras, poemas que abordam o amor, a amizade, a sociedade… Para Sara os seus poemas definem-se como palavras soltas, a escritora revelou numa entrevista que deu ao Jornal Mensageiro de Bragança, que por não rimarem seriam apenas textos, opiniões suas, coisas que a intrigam- “não quero chamar-lhe poesia, porque não rima”, apesar disso o lançamento do seu primeiro livro foi uma aprovação total e como resultado disso um momento grandioso para a escritora - “a edição do livro revelou-se um dos momentos mais felizes da minha vida”.

Sara Afonso faz várias participações para revistas e jornais. Participa anualmente na Revista Almocreve, Carção, e vai além fronteiras escrevendo para jornais brasileiros – Jornal Fanal, São Paulo e Jornal Voz da Poesia, São Paulo.
Em 2010 editou o seu segundo livro "Ver-me nos teus olhos". Para o lançamento deste Sara contou com a participação do Dr. Manuel Cardoso, que comentou de forma muito criativa a sua poesia, chegado mesmo a dizer que os seus poemas lhe faziam lembrar poemas de Florbela Espanca! Acrescentou que os agradecimentos que Sara faz nas primeiras páginas, são poesia! Neste dia, Sara conseguiu vender mais de 180 livros, o que para muitos pode ser pouco, para a jovem escritora é uma enorme alegria.
É sem dúvida um momento de leitura muito agradável. São poemas de uma simplicidade conquistadora. Segundo o que sabemos da escritora, teremos novidades para breve por isso ficamos à espera ansiosamente.

Para saber mais sobre Sara Afonso vá a https://sarafonso20.webnode.pt/  ou https://ilikesarafonso.blogspot.pt/2011_07_01_archive.html, adicione também no facebook em https://www.facebook.com/sara.l.afonso.
Aqui ficam alguns dos seus poemas:                                                                             
New Day - Enquanto o tempo quiser
Que tarefa tão difícil
Que me foi impingida
A de começar um novo dia
Todos os dias!
Até que ponto isto é bom?
É tão sufocante,
Todos os dias ter de reparar o mal
Do dia anterior.
É tão desesperante,
Todos os dias ter de lembrar os horrores
Do dia anterior.
É tão difícil,
Todos os dias tentar ser melhor
Que no dia anterior.
Está fora do meu alcance,
Ser feliz...
Porque mesmo que eu não queira,
É tão fácil
Esquecer-me o que me fez feliz
No dia anterior! 
 
Morte - Enquanto o tempo quiser
Todo o meu ser espera...
No meu corpo latejante
Corrompido,
Impuro.
Sinto-me sufocada,
Neste corpo que não escolhi
Neste corpo que não quero.
Alma liberta-te!
Não posso esperar mais.
Nada faz sentido.
Tudo é doença,
Tudo é sujo,
Tudo é horrível.
Vem a mim noite incerta!
Vem a mim paz eterna!
Vem a mim último suspiro!
Libertação de meu ser
Enfim...
 
A confissão de Deus -Ver-me nos teus olhos
Todos me louvam
Ou me culpam…
Para uns sou tudo,
Para outros nada…
Uns acreditam em mim,
Outros desprezam-me…
Uns amam-me,
Outros têm medo de mim…
Uns fazem de mim superior,
Talvez…
Mesmo eu me pergunto
Porquê? Quando? Onde? Será?
A verdade é que eles eram felizes,
Brigavam, claro!
Muitas vezes diziam e faziam coisas que não queriam,
Mas a maior parte do tempo eram felizes.
Uma família…
Que eu destrui sem saber porque e como,
Mas fi-lo…
Deixei cair uma bomba nas suas vidas,
Acabei-lhes com os sorrisos,
Acabei-lhes com a vontade de viver,
Consegui mesmo acabar-lhes com a esperança.
Mas o ser humano ainda me surpreende,
Tenha eu ou não criado.
É fascinante como eles aos poucos se ergueram,
Lutaram, sofreram claro,
Mas aos poucos voltaram-se a ouvir os risos,
As gargalhas à mesa,
Voltou haver harmonia…
Uma família que unida
Todos os dias foi contra a sua vontade
E acordaram dispostos a viver mais um dia!
Isto arrasa-me, 
Porque sinceramente não sei porque os fiz passar por esta nuvem negra e tenebrosa,
Mas é incrível a força com que eles me contrariaram.
E hoje,
Hoje se ainda é possível
Amam-se mais…
Vivem mais…
E isto sim,
Faz sentido!
 
Ladrão de Almas - Ver-me nos teus olhos
Um simples sorriso num convívio entre amigos,
Um olhar apaixonado numa cerimónia de amor,
Um abraço terno num retracto de irmãos...
Sou aquele que congela o tempo,
Sou aquele que brinca com a memória,
Sou aquele que deixa gravado na história
Um tempo,
Uma época,
Uma pessoa!
Um simples click e imortalizo para sempre
A traquinice da criança,
A jovialidade de uma casal,
As rugas de uma avó babada!
Um simples click e gravo para sempre na memória,
Os sentimentos expressados naquele momento.
Sou o vírus da saudade!
Sou nostalgia!
Sou capaz de conseguir lágrimas e gargalhadas...
Eu sou aquele que capta para sempre a alma da gente!

 

Texto & fotos: The Sisters Journal - Débora